sábado, 1 de março de 2025

Cansei de esperar

Quantas vezes eu
Já me questionei
Quem já me esqueceu?
Quem me tornei?

Observo em minha volta e a vida
Parece tão diferente
Do que aquele menino queria
Mas ainda ecoa na minha mente

Sei, não vou mudar
Sei, não vou fingir
Todas as pessoas não me dizem nada

Uma contradição que insiste em existir
Algemas do passado me mantém atado

Meu sorriso vazio
Flutua em um rio
Que não sei navegar
Tudo acaba um dia
Depois da tristeza virá a alegria
Que cansei de esperar

Quase vinte anos já se passaram
E eu continuo aqui
Nada muda além do que já vi
Todas essas lembranças que carrego comigo
Revela o que está morto e esconde o que está vivo

Entre ruas lotadas
E pessoas vazias
Fazendo minha morada
Cercada de mentiras
Tentando me distrair
Para não ter que sentir

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Poema sobre mim

Vou voar
Fugir das vozes da minha mente
Descansar
Do meu medo inconsciente
Porque clonazepam já não é... suficiente

Quem sou eu?
Não consigo responder
Não ao menos nem me entender
Farto de tanto correr
Tentando me encontrar
Nessa nuvem de pensamentos
Tudo o que há aqui dentro
Me divide em fragmentos
Que aos poucos vou perdendo

Por que tanta coisa ruim acontece comigo?
Já me afastei dos meus amigos
Não consigo suportar
Minha mente sempre fala
"Você não merece"
Tanta culpa me apodrece
Estou de mãos atadas

Vou apagar
O passado da minha cabeça
Me libertar
Talvez eu desapareça
A vontade de viver não tá mais... dando conta

Madruguei tentando buscar a verdade
Mas só encontrei maldade
Tanta gente má querendo se meter
Tanta gente que não quer me ver vencer
Escutei tanto que não consigo nem comentar
E muito fui eu que falei sem falar
Até quando vou suportar?

Dentro de mim já não encontro mais abrigo
E a paz só usando sonífero
Mas não consigo aproveitar
Nada mais me aquece
A raiva me entristece
Não consigo mais falar...

Poema sobre mim

Fragmentado em lamentos
Já não me reconheço mais
Sofrendo em novos momentos
Pra quem sabe encontrar a paz

Não lembro mais quem sou eu
Imagens de um passado que aos poucos se desfazem
Me apegando à saudade do que a gente viveu
Em sonhos as cicatrizes se refazem

Te vejo em espelhos, copiando imagens
Reflexos de medos, traumas e pesares
Sentimentos falsos procurando validar
O pior de tudo não consigo me encontrar

A dor aperta e para o tempo
Eu não consigo respirar
Espelhos me refletem o medo
E as dores que me fez passar
Meus olhos não podem te olhar
Pensamentos me fazem chorar
Espelhos me refletem o medo
E as dores não pude aguentar

Poema para ela

Você diz que é medo
Que é porque eu nasci em fevereiro
Que eu devo me arriscar
Descongelar meu coração
Você não sabe do enredo
Que atravessou meu conto inteiro
Meu envolvimento
Nesse momento
É só com a solidão

Dói, mas faz andar
Cada passo tem também um tanto de tropeço
Eu até sei perdoar
Mas não esqueço

Roxo
Meu coração já tá todinho roxo
De a vida bater firme e, ele, frouxo
Procuro um jeito de poder curar
Roxo
Meu coração já tá todinho roxo
De a vida bater firme e, ele, frouxo
Separo um tempo pra poder chorar

Pra continuar
Cada acaso traz também a chance de um começo
Eu nem gosto de tentar
Mas mereço

Antes fosse
Outro caminho que não esse que me trouxe
A um momento que tem quase nada doce
Talvez tivesse algo melhor pra dar

~Sete bilhões de pessoas no mundo
E eu só penso em uma
Que não vai voltar...

Poema para ela

Sete bilhões de pessoas no mundo...
E eu só penso em uma
Infinitas histórias possíveis...
E eu só quero uma

Eu corro, fujo, me distraio
Mas a vontade é de ficar... Parado
Esperando aquela uma

Sempre que tento me esquecer de tudo
Eu só penso em uma
Despedidas irreversíveis
Quem se acostuma?
Eu falo, escrevo, abstraio
Mas na verdade estou congelado
Esperando aquela uma

Eu sei que amanhã ou depois
Essa ideia talvez saia daqui
Mas hoje a certeza é que a vida é inviável sem ti
Eu sei bem que pra nós dois
Vai pra sempre existir
A saudade que na vida é inevitável sentir

Poema sobre mim

Da janela vejo passar as estações
A primavera que já vi um dia
Agora já não passa de uma brisa fria
Dentro de um quarto em um mundo de ilusões

Me sinto como um boneco vazio
Boiando nas águas de um rio
Vivendo no automático
Com olhar apático

Apenas me ignora
Talvez seja só questão de tempo pra me reanimar
Tentei demais ser perfeito
Que me afundei nos meus defeitos
Nada me impede de afogar

Me segurei demais
Saudades de quando era ignorante
O que se faz
Se já não sou quem eu era antes?

Olhando pela janela
O tempo que perdi
Me lembrando dela
E eu já não estou mais aqui

Dia nublado
Vida nublada
Horas passando
E eu parado aqui
O tempo vale ouro
Mas o meu vale areia
Que escorre pelos dedos
E não semeia

Talvez se me alimentar
De boas esperanças
Assim como era quando criança
Tudo vai passar
A vida vai passar

Poema para ela

Menina,
Nossa história foi pequena
Como um filme de cinema
Não esqueço do que aconteceu
Desenhos no céu estrelado
Teus olhos brilhavam ao meu lado
E meu coração batia com o teu

Minha lua,
Decorei suas fases, visitei sua rua
Me cegou nas suas curvas
Me deu motivos para sonhar
Seus carinhos são poemas
Que me prendem como algemas
Um sonho que não quero acordar

Eu que só queria ter paz
Você me fez querer cada vez mais
Um fogo que não conseguia abrandar
O vento que levou minha ilusão
Encontrou um refrão
Que não consigo rimar

Eu pensava tanto no futuro
Como um menino olhando por cima do muro
Agora não consigo te enxergar
Procurando um raro diamante
Se perdeu em um instante
Que não consigo apagar

Só não me guarde no fundo da gaveta
Junto das lembranças e tristezas que o passado te deixou
Pois foi perfeito nosso eterno passageiro
E hoje sou apenas restos de quem um dia te amou