Arabella não chamava sua mansão de lar
Era um túmulo onde descansar
Um buraco obscuro para paz encontrar
Talvez até um lugar para se esconder
De seu quarto não gostava de sair
Pois as lembranças a assombravam
Quando segura no corrimão dos infindáveis degraus
A sensação de seu calor ser sugado pelas mãos
É como se o passado quisesse roubar sua vida
Dar motivos para cada despedida
Enterradas naquele chão
As palavras a perseguiam
'Se você casar comigo
Até o fim você me levaria?
Abaixo do solo me enterraria?'
Quer esquecer das promessas
Dizer adeus ao coração que parou de bater
E a todo veneno que continua a beber
Memórias gravadas em fotos
Do corpo que um dia desejou
De toda a fortuna que conquistou
E agora estão todos mortos
Na sua mão perfura a tristeza gélida
Hostilidade da realidade
Lá fora seria como uma geada de lâminas
Dilacerando o que o tempo não cortou
Para afogar tudo naquela piscina de sangue
Não há saída
O destino a bota para baixo
Ou a bota para fora
Viver já não é uma escolha
O tempo é apenas uma fila única
Esperando para falar com um anjo
'Me diga para onde nós vamos'
Suas pálpebras não podem fechar
Pois as lembranças são como ácido nos olhos
E tudo o que há dentro dela
É como uma caverna que ela chama de tesouro
Dias assim se repetem sem acabar
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